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Uma resposta a Daniel Oliveira

Dezembro 19, 2007

O senhor Daniel Oliveira publicou no seu blog pessoal:

É impossível falar de Portugal sem falar de judeus. No meu caso, é impossível falar do passado de parte da minha família sem falar de judeus. A cultura e a identidade portuguesa sem a herança judaica e muçulmana seria bem mais pobre. Que haja para aí uma extrema-direita “identitária” que não o perceba diz apenas muito sobre a sua ignorância em relação à história do país onde nasceram.»

Esta afirmação merece algumas reflexões.

Em primeiro lugar, o senhor Daniel refere-se uma «extrema-direita identitária» algo que, por si só, é contraditório. Os Identitários não se revêem no tal rótulo, em virtude da autonomia político-histórica que nos caracteriza. Citando livremente Jean Thiriart «a extrema-direita constitui o mais completo conjunto de incapazes: invejosos, conspiradores, psicopatas, mitomaníacos, saudosistas, anarquistas.», atributos que os militantes desta casa não perfilham.

Segundo, em tempo algum os Identitários afirmaram que a identidade e cultura portuguesa não são tributárias de uma herança judaica e muçulmana (e africana, acrescente-se!). Mas, afinal, o que prevalece para a definição da identidade de um povo: É a maioria – a vertente europeia expressa na herança Celta, Ibera, Sueva, Romana, Vândala, Grega, etc. – ou a minoria, já acima citada? A identidade etnocultural de um povo deve ser analisada de um ponto de vista global, e não através dos seus particularismos.

Terceiro, a afirmação de que «a cultura e a identidade portuguesa sem a herança judaica e muçulmana seria bem mais pobre», deixa antever que, para o senhor Daniel Oliveira, a herança Greco-Romana – pilar base da identidade europeia – «tem a mesma expressão» que a herança muçulmana e/ou judaica. Trata-se de uma imbecilidade, própria de quem quer apenas ler alguns, seleccionados, capítulos (dactilografados com numeração Romana!) do imenso livro da História de Portugal. Aliás, já que de História falamos, e no caso particular da herança muçulmana, é de referir que a mesma se faz sentir muito mais no campo da expressão humana (como a arquitectura), do que propriamente no substrato etnocultural de Portugal. Isto porque, apesar de quase oito séculos de ocupação:

- As diferenças religiosas entre muçulmanos e cristãos provocaram um ódio mútuo insanável;
- Os casamentos mistos eram proibidos pela Igreja;
- Contínuas batalhas entre muçulmanos e cristãos;

Por fim, lanço o desafio ao senhor Daniel Oliveira para um debate sério e mais alargado sobre esta matéria. Acreditamos que é no confronto saudável de ideias que se faz a verdadeira Democracia.

Diogo Canavarro