
Ainda existe futebol Inglês?
Janeiro 3, 2008Sempre fui um fanático adepto de futebol.
Lembro-me das tardes passadas a ver a famosa final da Taça de Inglaterra. Quando eu era petiz, eram dos poucos jogos de futebol internacional transmitidos em Portugal. O futebol inglês distinguia-se do futebol técnico nacional, era um futebol de homens de “barba rija”, como sempre ouvi. Era um futebol marcado pela força, pelo empenho em campo, pela virilidade que cada jogador aplicava a cada jogada.
Contudo, a globalização está a destruir o chamado futebol inglês. Os clubes pertencem na sua maioria a estrangeiros. O Chelsea constitui o paradigma desta nova mudança do futebol inglês. O Arsenal é sinónimo da não existência de jogadores ingleses. E poderíamos continuar a citar exemplos, mas seria cansativo.
Quem perdeu com esta mudança?
Os Ingleses, é óbvio. A sua selecção foi afastada do Europeu. Alguns advogam que foi azar… Outros que pensam sobre futebol, já começam a criticar a internacionalização da Premier League.
Mas, na minha opinião, quem perdeu fomos todos nós.
E eu não sou o único que o lamenta. Recordo aqui as palavras do Presidente da UEFA, Michael Platini: «A Inglaterra é um país tão forte que precisa ter um técnico inglês. Gosto de futebol, dos jogos, dos fãs e da paixão pelo desporto. Mas não gosto do facto de o país ser tão aberto para estrangeiros».
Antes fazia-se a distinção entre o desporto amador e o profissional. Porém, o futebol na Europa sofreu uma americanização, hoje o futebol é o desporto-negócio, à semelhança da NBA, do American League Professional Baseball. Estamos, assim, perante três novas vertentes de desporto: o amador, o profissional e o de negócios.
Nuno Neves