
O novo espaço Schengen
Janeiro 6, 2008O espaço Schengen encontra-se renovado. Com a entrada de 9 Estados-Membros é possível agora viajar, sem parar, de Narva (Estónia) a Lisboa (Portugal) ou de Budapeste (Hungria) a Brest (França).
Na qualidade de Europeísta convicto, fico feliz por ver que os vestígios da tenebrosa cortina de ferro, imposta pelo mais brutal regime de todos os tempos, desapareceram. Mais de 400 milhões de homens circulam agora livremente numa casa comum, a que se juntarão, assim é meu desejo, sob o estandarte do javali, milhões de russos, dando forma à verdadeira Europa.
No entanto, algumas figuras públicas já avisaram que com o fim do controle fronteiriço é bem possível que se dê um aumento da criminalidade e delinquência no espaço europeu. Merece, novamente, uma reflexão.
Nos actuais parâmetros de segurança na Europa posso compreender o receio de alguns. Afinal, continuamos numa Europa em que as diversas forças de segurança continuam distantes umas das outras, com os seus mecanismos próprios: armas, software de vigilância, etc., mas na prática sem existir uma coordenação que as articule entre si.
Tudo isto é ridículo e patético.
A Europa não pode continuar neste estado de (in)segurança. É necessário criar mecanismos comuns a todas as forças de protecção, bem como criar um Exército Europeu. O desmantelamento da Sérvia – que, perdendo o Kosovo, será, esse sim, um verdadeiro foco de perigo para toda a Europa – nunca teria acontecido com uma Europa unida no campo da segurança/militar.
Além disso, o conceito de livre circulação encontra-se deturpado. Circular livremente não significa que se possa transitar para qualquer país do espaço Schengen sem documentação e em situação criminal activa. A título de exemplo, eu sou livre de ir ao cinema, mas tenho de possuir bilhete bem como apresentar um comportamento correcto e, na falta destes, posso ser expulso do espaço.
Por fim, considero também que a questão da segurança, muitas vezes usada de forma infantil e histérica, não pode impedir em tempo algum os bons Europeus de circularem livremente. Isso seria estagnar todo um continente: Sem trocas comerciais, eventos culturais, turismo, etc., atrasar-se-ia, e de que maneira, a recuperação económica e social da toda a Europa.
Diogo Canavarro