Há algumas semanas atrás, tive a oportunidade de assistir na estação televisiva TVI a uma reportagem intitulada: “A vida por um canudo”. Esta teve como propósito mostrar aos Portugueses a situação dramática dos nossos jovens licenciados, que não encontram trabalho na sua área de especialização.
O panorama é aterrador: Jovens formados em áreas tão distintas e importantes – enfermagem, jornalismo, psicologia, arquitectura, etc. – a trabalhar como vendedores “ambulantes”, balconistas ou até na construção civil. Para completar o triste espectáculo, estes situam-se, na sua grande maioria, num nível socioeconómico altamente instável.
Tenho um profundo respeito e consideração por todas profissões dignas e úteis, e compreendo que, na actual conjuntura, torna-se praticamente impossível ter o mesmo emprego para toda a vida – tal como foi em tempos mais “recuados”. Mas sejamos realistas e honestos: Não é com isto que estes jovens sonharam e trabalham ao longo de um curso. São demasiadas horas a “bater pestana”, para agora trabalharem em algo que não tem a mínima relação com o que estudaram.
Confesso que me emocionei ao ouvir uma jovem formada em enfermagem (afinal, não há falta de profissionais de saúde?), também emocionada, dizendo: «só queria trabalhar». Mais claro é impossível. É o grito de revolta e angústia contra um sistema que de nacional e social, pouco ou nada tem.
Em minha opinião, o Estado e vários departamentos universitários são os grandes responsáveis pelo estado calamitoso a que chegamos.
O Estado, essa entidade jacobina, ao invés de uma forte vigilância naquilo que são as suas competências – segurança laboral, regulamentação do código do trabalho, etc. – investe, em nome de uma certa «unidade nacional», numa uniformização de todo o mercado de trabalho com vista a uma descida dos números de desemprego. Com isso, as pessoas são tratadas como meros números e as suas competências votadas ao desprezo. Por outro lado, vários departamentos universitários, envoltos em vaidade e egoísmo, pretendendo apenas ter o seu “ninho”, hipotecam a vida a milhares de jovens, cujos cursos não têm colocação ou a mínima aplicação.
É a hora de dizer: Basta! Read the rest of this entry ?
