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Geração à rasca!

Março 3, 2008

Há algumas semanas atrás, tive a oportunidade de assistir na estação televisiva TVI a uma reportagem intitulada: “A vida por um canudo”. Esta teve como propósito mostrar aos Portugueses a situação dramática dos nossos jovens licenciados, que não encontram trabalho na sua área de especialização.

O panorama é aterrador: Jovens formados em áreas tão distintas e importantes – enfermagem, jornalismo, psicologia, arquitectura, etc. – a trabalhar como vendedores “ambulantes”, balconistas ou até na construção civil. Para completar o triste espectáculo, estes situam-se, na sua grande maioria, num nível socioeconómico altamente instável.

Tenho um profundo respeito e consideração por todas profissões dignas e úteis, e compreendo que, na actual conjuntura, torna-se praticamente impossível ter o mesmo emprego para toda a vida – tal como foi em tempos mais “recuados”. Mas sejamos realistas e honestos: Não é com isto que estes jovens sonharam e trabalham ao longo de um curso. São demasiadas horas a “bater pestana”, para agora trabalharem em algo que não tem a mínima relação com o que estudaram.

Confesso que me emocionei ao ouvir uma jovem formada em enfermagem (afinal, não há falta de profissionais de saúde?), também emocionada, dizendo: «só queria trabalhar». Mais claro é impossível. É o grito de revolta e angústia contra um sistema que de nacional e social, pouco ou nada tem.

Em minha opinião, o Estado e vários departamentos universitários são os grandes responsáveis pelo estado calamitoso a que chegamos.

O Estado, essa entidade jacobina, ao invés de uma forte vigilância naquilo que são as suas competências – segurança laboral, regulamentação do código do trabalho, etc. – investe, em nome de uma certa «unidade nacional», numa uniformização de todo o mercado de trabalho com vista a uma descida dos números de desemprego. Com isso, as pessoas são tratadas como meros números e as suas competências votadas ao desprezo. Por outro lado, vários departamentos universitários, envoltos em vaidade e egoísmo, pretendendo apenas ter o seu “ninho”, hipotecam a vida a milhares de jovens, cujos cursos não têm colocação ou a mínima aplicação.

É a hora de dizer: Basta!

Duas tarefas árduas, mas essenciais, são-nos colocadas no horizonte.

1. Criação de empresas comunitárias nos sectores: educação, saúde, direito, desporto, ciência, etc., com um sistema de quotas suportados por todos os seus intervenientes, capazes de disputar o mercado de trabalho, com serviços a preços e condições mais acessíveis.

2. Criação de um sindicato europeu, sério e evoluído, que, em coordenação com as embaixadas nacionais em todo o solo europeu, desenvolveria esforços para a colocação dos nossos jovens em sectores carenciados, disponibilizando igualmente zonas residenciais a preços mais estimulantes. Isto, claro está, respeitando sempre as necessidades do país acolhedor.

Acrescento ainda que, no nosso espaço geopolítico, os europeus são migrantes, mas não imigrantes. Aliás, a Europa, de uma ponta à outra, complementa-se de uma forma extraordinária, pelo que não se compreendem as actuais políticas suícidas relativas à imigração.

Pela minha parte, como jovem universitário, teria um grande prazer e honra em usar os meus conhecimentos ao serviço da Pátria. Mas caso não seja possível, veria com bons olhos a oportunidade de trabalhar na Europa, e penso que este sentimento é partilhado pela esmagadora maioria dos jovens portugueses.

Afinal, hoje, somos todos Europeus!

Diogo Canavarro

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