Por Miazuria (Miguel Angelo Jardim)
Um camião à deriva vagueia e deambula pelas ruas e vielas da amargura politica. Deixou recentemente, com saudosismo, Berlim e agora percorre Caracas, Gaza,Tripoli e uma recordação, Pyongyang, Teerão, alcançando, imagine-se, a Birmânia, não fosse ele um transporte de longo curso…
Em tempos a mercadoria foi unicolor, mas agora é bem multicolorida, em tons de negro e branco, com envergonhadas pinceladas a vermelho, só lhes falta, ainda, o amarelo, todas as cores incorporadas num espírito de fraternidade mundialista, afinal de contas para este camião as cores reunidas de mãos dadas são uma festa a celebrar, em bom estilo Benetton, mesmo que a festa se arrogue de “patriótica”!
Os motoristas deste veículo mal amanhado apresentam duas obsessões: a CI (Causa Identitária) e as manifestações de rua.
A primeira, a CI, para além de caluniada e difamada, provoca, seguramente, insónias e pesadelos. A segunda, as manifestações de rua, são concorridas a três, ao ritmo do calendário demonstrativo, nelas o camião surge com os motoristas abonecados (não dão a cara), envergonhado e tímido, a matrícula invisível (têm medo do quê e de quem?), participam em estilo de mirones, são “voyeurs” da manifestação dos outros. Até fazem romagens de culto enternecido a quem outrora apelidavam de santo patrono dos “salazarentos”!
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