Nas últimas semanas muitos têm sido os casos que despertaram os portugueses para uma realidade bem dura mas verídica: Portugal deixou de ser o “país dos brandos costumes” onde nunca acontece nada, para se transformar numa sociedade com graves sintomas de doença, tanto ao nível social como económico, da segurança ou moral.
O caso mais mediático (que não o mais grave) terá sido o da adolescente do Porto, exigindo aos gritos a uma professora para lhe devolver o telemóvel. Uma aluna de 15 anos gritando, empurrando e tratando por tu uma professora. O negligenciar da antiga noção de autoridade só podia levar a isto.
Mas a este caso devemos acrescentar o clima de guerra civil que se vive em algumas escolas (nomeadamente das áreas metropolitanas) onde alunos vão armados para as escolas, quer com armas brancas, quer inclusive com armas de fogo!
Quando os professores saíram à rua reclamar contra a avaliação que o governo lhe quer impor, faltou, por exemplo, denunciarem a quase obrigatoriedade que têm em apresentar resultados de 100% de aprovações nas suas turmas, caso contrário terão que dar explicações aos superiores. Ora o que é isto senão abrir portas ao facilitismo e laxismo?
E enquanto isso, que fazem os nossos governantes? Desvalorizaram os actos que cada vez mais vão transmitindo aos portugueses uma sensação de falta de segurança quer nas ruas, quer nas próprias instituições que se supunha deverem ser o garante da estabilidade social (Governos, tribunais, polícias, sistema de ensino, de saúde…).
Sem dúvida que, na bolsa do nosso dia-a-dia, os valores estão cada vez a cotizar mais baixo, e parafraseando Shakespeare: “algo está mal na República de Portugal”.
Rolando Mateus
