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Maio de 68

Maio 7, 2008

Por Diogo Canavarro

Foi há 40 anos que se deu a revolta popular em França, construída a partir de uma Greve Geral, mais conhecida por Maio de 68. Por entre slogans como «É proibido proibir» ou «O álcool mata, toma LSD» viveram-se dias de forte agitação e contestação social, onde o segmento juvenil teve particular destaque na sua impulsão.

Não me cabe a mim julgar este episódio da história, não só porque não o vivi, mas também porque sinto que não tenho conhecimentos sérios e profundos sobre esta matéria.

Contundo, não posso deixar de tecer dois breves comentários à temática em questão.

Primeiro, creio que o Maio de 68 foi um presságio para aquilo que hoje, tristemente, vivenciamos: Um povo, em particular a sua juventude, que despreza, vulgariza e renega a sua origem etnocultural em nome da «Liberdade» e do «Outro». Incapazes de compreender que a definição do «Ser» singular depende implicitamente da sua definição no meio colectivo em que está inserido, e que a construção de barreiras – físicas e espirituais – são imprescindíveis para a manutenção desse mesmo «Ser» bem como a sua respectiva «Liberdade», estes agentes lançaram as sementes da confusão política e ideológica, traduzindo-se hoje na apatia generalizada, no optimismo artificial e no enraizamento ao sentimento xenófilo e etnomasoquista que chega à patologia.

Segundo, não deixa de ser paradoxal que muito daqueles que se insurgiram contra o «Capitalismo» e o «Sistema», são hoje figuras destacadas na sociedade civil; advogados, professores, banqueiros, etc., curiosamente, ou talvez não, cargos conectados às estruturas do «Capitalismo» e «Sistema» que diziam combater. Fartaram-se de ser revolucionários?

Em suma: Acredito que é necessário acabar com o «presentismo» em que fatalmente caímos e voltarmos a ser portadores de um futuro sustentável, com base em ideias fortes e ousadas – Autonomia regional, Europa unida e subsidiária, Política energética nacional na área das energias alternativas, etc. – mas isso não pode, jamais, ir deliberadamente contra toda e qualquer estrutura social, que, quanto a mim, foi a imagem de marca do Maio de 68. Como escreveu Miguel Ângelo Jardim: «A atitude de revolta não me merece, à partida, muita simpatia. Por motivos de ordem ideológica e de estratégia creio na revolução das mentalidades, na pedagogia subversiva, na transformação persistente e progressiva das consciências. É mais sensato e mais eficaz.»

3 comments

  1. Maio de 68, assim de repente vêm-me à cabeça o levantamento na Checoslováquia contra o ocupante soviético e a imolação de Jan Palach.
    Mas para os nossos meios de comunicação há revoltas que o são mais que outras.


  2. quando escrevi “Maio de 68″, queria escrever “Maio”, já que o levantamento checo foi neste mês mas em 1956.


  3. Não estarás a confundir com a invasão da Hungria pelo Pacto de Varsóvia? Isso é que foi em ‘56…



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