Por Diogo Canavarro
Desde sempre respeitada, admirada e até incompreendida, a Energia é hoje o conceito mais preponderante na actividade humana e objecto de estudo científico permanente por parte das áreas físico-químicas. Esta é, mesmo que isso nos escape à nossa modesta vista, o denominador comum a todo o espectro que conhecemos: política, cultura, economia, migrações, etc., são, pois, todos eles conceitos subordinados à Energia. Quando o mundo «pula e avança como uma bola colorida nas mãos de uma criança» é à Energia que devemos agradecer.
Mas, afinal, o que é a Energia?
Tão simples e ao mesmo tempo tão complexa, podemos dizer, ainda que de forma sucinta, que a Energia é todo o fenómeno capaz de dar o ponto de partida para a modificação de um determinado sistema físico, e somente isso – o ponto de partida. A capacidade de a usar dá-se, em Física, o nome de trabalho que, por sua vez, está intrinsecamente dependente de uma força actuante. Quando elevamos um corpo com uma certa massa a uma determinada altura, obtemos a denominada Energia Potencial. Libertando-o, eis que entra em acção a força gravítica que, por deslocamento do corpo, produz trabalho, também este uma forma de Energia (Medida em Joule (J), em honra ao grande Físico Britânico James Prescott Joule). É este o princípio de funcionamento de toda e qualquer estrutura hídrica – a Energia Potencial, ou seja, o trabalho potencial produzido é magistralmente aproveitado por turbinas que se encarregam de produzir electricidade.
Eis-nos postos perante o primeiro ponto crucial da temática: Da mesma forma que Identidade não é somente Cultura, Energia não é somente Electricidade. Esta última é, na verdade, uma parte integrante do fenómeno energético, entendido numa perspectiva global. A recusa em compreender esta relação é uma grave deturpação daquilo que verdadeiramente representa a Energia, com consequências bem nefastas para o ecossistema. A energia é, em suma, uma dinâmica que se exprime, na sua forma mais elementar, num gesto.
Dada uma definição base para a Energia (entendida, saliente-se, através de uma visão de Engenharia), libertemo-nos dos conceitos mais “puristas” e façamos uma análise da sua história, aplicações actuais e problemáticas inerentes.
Conscientemente ou não, a Energia foi desde sempre encarada como um veículo na obtenção de conforto. A queima de biomassa – como a lenha, por exemplo – permitiu ao homem primitivo utilizar a Energia proveniente dessa combustão (reacção exotérmica) para se aquecer, cozinhar ou ainda afugentar diversos perigos, o que consistiu numa maior capacidade de sobrevivência e prosperidade para a sua comunidade. Com o evoluir dos tempos, a Energia foi paulatinamente sendo obtida pelo recurso aos combustíveis fósseis, sobretudo após a Revolução Industrial, donde se destaca o petróleo. Naquela época e, tristemente, tal como hoje, os mitos do progresso infinito da humanidade desencadearam o início de um consumismo compulsivo aniquilando, e considerando a escala de tempo da humanidade, esses mesmos recursos em tempo de fósforo.
No que ao petróleo concerne, sabe-se hoje que estamos a atingir o peak oil, i.e., o pico do petróleo.






