
Por Manuel Alva
Mais uma vez, ficou provado, num bonito espectáculo de luz, cor, tiro desportivo e conflito étnico, difundido em horário de telejornal, que a “integração” é impossível. Os pensadores da suposta elite falaram em problemas sociais, falta de rendimentos, etc., mas não há fome naquele bairro. E se a há, não são de certeza os atiradores desportivos, que agilmente se mexiam, que a têm. Nem os alvos dos atiradores desportivos, infelizmente não visíveis nos confrontos (qual foi a última vez que se viu imagens de uma câmara de vigilância de um grupo de jovens a cometer um crime num qualquer transporte público?).
O conflito tem contornos territoriais e étnicos. Não sou eu que o digo, são os próprios habitantes. Exclama um angolano com bilhete de identidade português: «Os ciganos passaram aqui a dizer que iam matar os macacos» (sic). Exclama um habitante do bairro da mesma equipa dos atiradores desportivos: «Não dá para viver com os africanos, ao mínimo conflito recorrem logo às armas e à violência».
Para finalizar, a suposta elite, sempre a pensar em problemas de falta de rendimentos e integração, pensem antes assim. Eles não querem deixar de ser o que são: africanos ou ciganos. Mesmo com bilhetes de identidade portugueses, mesmo a falar português em alguns casos, eles vão sempre ser o que são. E se ser o que são, é, em muitos casos, resolver as coisas aos tiros, então os espectáculos de tiro desportivo na rua serão muito mais comuns. Aguardamos também a variante piromaníaca anti-carros, já em voga na França…
