Arquivo de Outubro, 2008

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A relação do país com a arte

Outubro 21, 2008

Por Diogo Canavarro

No último programa do Câmara Clara (RTP2), discutiu-se a importância dos nossos autores e a expansão da língua portuguesa além-fronteiras. Um dos convidados, o Dr. Paulo Teixeira Pinto, afirmou que «todo o artista tem o mundo dentro de si, pelo que o país de onde é originário pouca relevância tem na obra», problematizando-se em seguida o direito que um país tem em se legitimar «dono» de um certo autor ou escrito.

Que as nossas (supostas) elites sejam dotadas de um pensamento visceralmente oposto ao pensamento identitário, não é novidade. Mas quando este ultrapassa a barreira do bom-senso e das ciências naturais, uma observação, ainda que singela, é necessária.

Todo o indivíduo nasce – necessariamente – no seio de uma comunidade, seja ela de que carácter for. E toda a comunidade transporta consigo uma herança cultural e hábitos enraizados, ainda que estes nos pareçam, por comparação aos nossos, absolutamente primitivos, pelo que a tendência desse mesmo indivíduo é captar as linguagens e códigos próprios desse seio como forma de se entrosar e crescer. Até nos comportamentos mais instintivos – a maneira de dormir, cuspir, apontar, ter relações sexuais, etc. – esta situação se verifica: É sabido da Etologia, ciência que estuda a semelhança entre os comportamentos animais e humanos numa determinada região, sobretudo pelos contributos de Konrad Lorenz, que todos esses comportamentos não são aleatórios. De facto, estes acarretam consigo toda uma escola e linhagem transformada ao longo de séculos – que se mantêm viva na sua essência desde que a base etnocultural original não seja deturpada. Todo o indivíduo está, assim, pré-formado à partida, pelo que dizer que é «irrelevante» o lugar onde qualquer indivíduo nasce e cresce é uma absoluta idiotice.

Por outro lado, a ideia de que cada artista «tem o mundo dentro de si» também deve ser analisada. Com efeito, todos nós somos influenciados, sobretudo nesta era global, por diversas culturas, mitos e códigos. Contundo, e pensando sobretudo nos conscientes da sua identidade, essa informação é um complemento ao que se é de partida – a comunidade originária – nunca podendo vir a substituir o pilar base da identidade. Aliás, é exactamente esse mesmo “veio central” caracterizador que nos permite aproximar de certas culturas e a nos afastarmos de outras. É mais espectável que um Europeu se identifique com as marchas lisboetas do que com os ritos de uma tribo da Amazónia, ainda que possa sentir empatia e solidariedade por esta última. Identidade, é essa a explicação.

Em último lugar temos a questão de um país ser «dono» de um autor/escrito. Obviamente há que respeitar – sempre! – a individualidade, o seu génio e criatividade. Mas, sinceramente, o que seria um verdadeiro crime de lesa-pátria era deixar no esquecimento o nosso legado, a nossa cultura, a nossa identidade. Não permitir que os nossos compatriotas possam conhecer-se e rever-se, através da memória longínqua mas não apagada, em todos aqueles que de uma maneira ou de outra nos fazem sentir orgulho em sermos Portugueses!

Viva a Cultura Portuguesa!

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A propósito do França-Tunísia

Outubro 18, 2008

Por Nuno Neves

Gostaria, em primeiro lugar, de dedicar este curto artigo aos senhores que votaram e aprovaram a mais recente lei da nacionalidade, alegadamente com base na ideologia dos direitos humanos e refém de oníricos ideais de integração, a fim de compreenderem (vã esperança), que os alógenos não se sentem Europeus e não estão sequer nisso empenhados. Somente as mentes formatadas pelo “politicamente correcto” é que acreditam em tal utopia.

Reflictamos sobre o que se passou no recente jogo de futebol entre as selecções de França e Tunísia. Pela constituição étnica das equipas, estávamos, digamo-lo sem paliativos, perante duas equipas africanas. No entanto, o que quero salientar é a reacção dos “novos franceses”, nomeadamente aquando da entoação do hino Francês, “A Marselhesa”. Estes franceses de “jure”, não tiveram qualquer pejo em assobiar o “seu” hino.

O Secretário de Estado do Desporto Francês sugere que se acabem com os jogos entre as selecções do Magreb e da França em Paris. Pois bem, eu sugiro-lhe que comece por propor, isso sim, alterações na questão da nacionalidade e nas políticas de imigração. Esta gente não é, nem quer ser Europeia. Não são leis que mudam a natureza das pessoas.

Nós por cá, não nos esquecemos de um jogo entre Portugal e Angola, em Alvalade. Infelizmente, já todos compreendemos que nem com estes exemplos gritantes, os bem-pensantes do politicamente correcto, nem os prosélitos dos direitos humanos vão alterar ou propor medidas que salvem a nossa Europa da inevitável destruição. O espaço geográfico da Europa não perecerá, mas a sua constituição etnocultural, essa será deveras diferente.

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Sobre o reconhecimento do Kosovo

Outubro 9, 2008

Comunicado de 9/10/2008

A Associação Causa Identitária lamenta o reconhecimento por parte do Governo Português da independência do Kosovo, território que historicamente representa o berço da nação Sérvia.

Com esta posição o Estado Português legitima futuras declarações unilaterais de independência, um facto certamente preocupante tendo em conta alguns conflitos latentes que grassam em território europeu.

Considera a Causa Identitária que este reconhecimento representa uma clara cedência por parte do Governo, primeiramente face à ingerência da administração Norte-Americana nos assuntos europeus, assim como às pressões exercidas pela União Europeia, nomeadamente através do Presidente da Comissão Europeia, o Sr. Durão Barroso.

Perante o sucedido, é desejo da Causa Identitária manifestar a sua solidariedade para com o povo Sérvio, em especial os Sérvios do Kosovo, que resolutamente insistem em não abandonar a terra dos seus antepassados, vivendo nos últimos anos confinados em enclaves, sem as necessidades básicas asseguradas e sob constantes ataques aos membros da sua comunidade, às suas propriedades e aos seus locais de culto, naquilo que se pode considerar uma limpeza étnica vergonhosamente consentida pela ONU.

A Causa Identitária não pode igualmente deixar de se preocupar com a possibilidade de, num futuro próximo, qualquer comunidade alógena poder reclamar a independência de um dado território, com base no argumento de que constitui a maioria étnica ou religiosa nesse referido território. A “Caixa de Pandora” foi aberta.

Kosovo é Sérvia!