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Discurso do presidente no 1º de Dezembro de 2008

Dezembro 11, 2008

Discurso de Diogo Canavarro no 1º de Dezembro de 2008 em Sintra.

Caros Identitários,

É hora de recordar, junto da estátua do Soldado Desconhecido, todos aqueles que há 368 anos se bateram para que Portugal pudesse de novo ser governado pelos Portugueses. Facto marcante na nossa História que comprova, sem equívocos, o amor e fidelidade dos Portugueses ao valores da Identidade, Pátria e Liberdade! Escolhemos este local porque entendemos que, nesta data, importa não só homenagear a nossa liberdade enquanto povo, mas também aqueles a quem o serviço a esse mesmo povo custou a própria vida. E mais ainda: lembrar, através de uma estátua que remete para esse terrível conflito suicida que foi a 1ª Guerra Mundial, que nós, identitários portugueses, estamos prontos a defender a nossa identidade e liberdade até à última gota de sangue, mas que não partirá de nós a promoção de mais conflitos fratricidas entre povos europeus, sobretudo numa hora em que o espectro da extinção paira sobre todos nós.

Pese embora os quase quatro séculos de distância, o que se passou naquele dia foi algo absolutamente extraordinário. Um conjunto de homens e mulheres, oprimidos e silenciados por todos aqueles que pouco se importavam com o bem-estar de Portugal, conseguiram colocar de lado tudo aquilo que os separava e unir-se naquilo que, para eles, era o essencial: o restabelecimento da soberania nacional. E tal só foi possível porque estes homens e mulheres comportaram-se como uma verdadeira comunidade, i.e., aquela que partilha entre si os mesmos objectivos, para além de laços heriditários, de solidariedade, de humildade, de vontade.

E o desejo destes Portugueses era simples: a eterna recordação, nas nossas mentes, do seu feito, coragem e bravura para que Portugal fosse também ele eterno. Exemplificar como a única vida «boa» é aquela que trilha o caminho do enraizamento e do patriotismo e iluminar de esperança as almas de todos os Portugueses para os desafios do futuro. Essa era a sua esperança: “recordem-nos, porque por vós nós lutámos!”

O legado recebido desta data é de um valor insofismável: ele mostra-nos como mesmo nos momentos mais difíceis, com uma certa dose de garra e sacrifício, é possível construir um outro futuro, mesmo em absoluto desiquilíbrio face à dimensão dos obstáculos. Mostra-nos também como devemos sempre recusar a ideia de que está «tudo perdido», de como a História nos apresenta por diversas vezes surpresas imponderáveis – a revolta deu-se num momento de fraqueza dos Castelhanos –, de como brilhantemente funciona a lei do Eterno Retorno, e de como a chama dos ideais e a veracidade dos factos vence sempre o dogmatismo e o ostracismo. Esta é a grande lição a tirar: lutamos porque queremos e devemos, porque o futuro daqueles que amamos e a memória dos nossos antepassados é a nossa prioridade!

Mas para os Identitários, a simples recordação dos feitos conseguidos, embora de suma importância pois que um povo sem memória é um povo sem futuro, é para nós insuficiente. Mais do que uma lembrança longínqua, este feito deve encher-nos de vontade e determinação para actuar junto da nossa comunidade local em prol do seu [nosso] bem-estar, pensando sempre numa prespectiva nacional e europeia. A revolta de 1640 mudou todo o panorama da época; A organização do Estado, a política e sociedade em geral sofreram mudanças drásticas rumo àquilo que foi a ambição dos nosso heróis. Este o espírito que devemos sabiamente interpretar: O que nos une é muito mais forte do que nos separa, o que amamos é mais relevante do que o que detestamos.

Por isso, e porque recusamos ser tratados como meros números de consumo, é chegada a altura de conjuntamente nos organizarmos, de estabelecermos pontes para a criação dos nossos espaços, da nossa rede de apoio social, da nossa zona de cultura. É altura de dizemos «basta!» – tal como disseram os heróis de 1640 – a um Estado corrompido pelos dogmas do mundialismo, do multiculturalismo e do igualitarismo, pondo desta feita em causa os reais interesses do Povo Português – entendido por nós como uma dinâmica bio-cultural presente das mais diversas regiões do nosso País!

A tarefa parece, tal como pareceu certamente a tantos outros homens em 1640, de realização impossível. Como podemos avançar se o vento não nos é favorável? Diziam-nos os grandes filósofos que o homem procura tantas vezes a verdade sem antes a procurar em si mesmo. Como tinham razão: a revolta, tal como a de 1640, começa em nós próprios, na rejeição de toda a massificação, de toda a banalidade, de toda a uniformidade. Face ao sentimento anti-nacional vigente, façamos da afirmação consciente da nossa identidade, do legítimo direito em viver condignamente junto da comunidade originária, a nossa arma! Saibamos ser astutos para divulgar este sentimento junto da nossa família, do nosso bairro, da nossa localidade. «O primeiro problema, base de qualquer outro, é de índole interna: reeguer-se, ressurgir interiormente, tomar forma, criar em nós mesmo ordem e aprumo. Quem se ilude acerca da possibilidade de uma luta puramente política e sobre o poder de uma ou outra forma ou sistema que não tenha contrapartida precisa de numa nova qualidade humana, nada aprendeu das lições do recente passado», dizia Julius Evola.

Foi assim que começou a desenhar-se o 1º de Dezembro, e foi conseguido. Também nós conseguiremos!

Obrigado a todos pela vossa presença!

Viva Portugal livre!

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