Por Rolando Mateus
«Crise global, resposta local!» é um slogan há muito utilizado pelos identitários e que ganha absoluta actualidade com a presente situação socio-económica.
Esta é uma crise que deriva directamente da desregulamentação liberal dos mercados. Deixou-se a alta finança fazer malabarismos a seu bel-prazer, negligenciou-se as actividades produtivas da economia e o resultado foi esta espiral de destruição que começou pelo sector financeiro (com bancos e seguradoras a falir) e alastrou rapidamente à chamada economia real, o sector produtivo, com as consequências nefastas para o emprego a que estamos a assistir.
Chegados a este ponto é hora de se lançarem soluções que pareciam para sempre desterradas para o baú da história. Pouco a pouco vão sendo dados sinais de que uma nova era de proteccionismo pode ter lugar como forma de se superar a tão propalada crise. O sinal mais forte veio dos Estados Unidos onde o flamante presidente Obama já veio defender medidas proteccionistas[1] ao introduzir abertamente cláusulas desse teor no plano de relançamento da economia. Assim, e a título de exemplo, as empresas americanas deverão adquirir aço das siderurgias nacionais para os projectos de infra-estruturas financiadas por esse plano.
Já em França, a ministra da Economia, Christine Lagarde, estimou o proteccionismo como um mal necessário no quadro dos planos de relançamento económico [2].
Entretanto, nas últimas semanas temos vindo a assistir a um movimento de operários sem precedentes num passado recente. No Reino Unido trabalhadores da pequena localidade de Grimsby[3] iniciaram um protesto pelo facto da empresa italiana que ganhou um concurso para a construção de uma refinaria ter encarregado, num sistema de subempreitadas, a empresas italianas e portuguesas o fornecimento de mão-de-obra barata, ao invés de contratarem entre a comunidade local, onde a unidade industrial vai ser construída. Este movimento de protesto estendeu-se, entretanto, a outras unidades industriais do sector energético um pouco por todo o país.
À nossa escala, já em Dezembro de 2007 a Causa Identitária lançou uma campanha apelando ao consumo de produtos locais e regionais, campanha centralizada na área de Alcobaça[4], numa zona eminentemente agrícola e com especial incidência na produção frutícola. Um dos pontos focados pela campanha são os custos energéticos e ambientais inerentes à importação de produtos de países longínquos, com o consubstancial gasto de combustível e emissão de CO2. Acresce a isto o facto de parecer da mais elementar lógica que um produtor de uma dada região possa ver distribuída a sua produção numa grande superfície que esteja implantada na sua zona. Seria um contributo positivo que essa grande distribuidora daria à comunidade.
Em jeito de conclusão, devo recordar que no momento em que o Governo deixa de tratar os nossos problemas, os problemas dos cidadãos autóctones, como prioritários e em vez disso escuda-se com as «novas realidades», que não se coadunam com uma política proteccionista e, por conseguinte, com a prioridade nacional, cabe a nós construir alternativas enraizadas, nas quais os nossos estejam sempre primeiro que os outros.
[1] http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/02/090203_obama_protecionismo_cq.shtml
[2] http://fr.novopress.info/?p=15376
[3] http://pt.novopress.info/?p=3007
[4] http://blogidentitario.wordpress.com/2007/12/09/actividade-da-causa-identitaria-em-alcobaca/