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Breve reflexão sobre o Kosovo

Maio 10, 2009

(Via Revista Identitário)

Por Miguel Ângelo Jardim

Consumada a independência do Kosovo, orquestrada pelos Estados Unidos, com o beneplácito da maioria dos países Europeus, esta não trouxe nenhuma novidade à complexa situação dos Balcãs.

Permanecem as tensões étnicas, em particular onde habitam os albaneses, expansionistas e irredentistas, e os sérvios, já sem saída para o mar (recorde-se a independência de Montenegro), sentem-se legitimamente injustiçados e marginalizados pela comunidade internacional.

Os Estados Unidos, juntamente com os seus tradicionais aliados e agora com a solidariedade germânica, apostam na independência do Kosovo com o intuito de debilitar a Sérvia (tendo em conta que esta foi historicamente aliada da Rússia) sempre com o objectivo último, de acordo com a clássica tradição, dividir para reinar.

A União Europeia, paralisada devido a divergências internas na forma como lidar com a situação, tenta apagar o fogo com aliciamentos e promessas à Sérvia na tentativa de buscar uma solução airosa no contexto do já complicado imbróglio dos Balcãs.

Por outro lado, a Rússia e a China, assim como a União Indiana, países fundamentais no equilíbrio das relações internacionais, não reconheceram a soberania do Kosovo, nem tencionam fazê-lo, impedindo a entrada do território nas Nações Unidas.

Estamos face a um Estado reconhecido parcialmente pela comunidade internacional, sendo a região mais pauperizada de toda a Europa, muçulmano, base de tráfico de estupefacientes e de carne branca, dirigido por mafiosos, para quem o conceito de democracia há muito que é letra morta. O Kosovo é um Estado pária, subalternizado às aspirações da supremacia regional dos americanos.

Certamente que o quadro explosivo permanecerá: a Sérvia jamais aceitará a soberania do Kosovo e os Albaneses, por sua parte, não se ficarão pela independência. No futuro, acabarão por reclamar zonas onde são maioritários, destabilizando a Macedónia e o Montenegro.

A independência do Kosovo foi um acto aventureirista, intencionalmente anti-sérvio, e anti-europeu. Historicamente, o Kosovo foi, e é Servo.

O futuro continua em aberto. A solução do conflito obrigará à integração do Kosovo numa Sérvia federal, com garantias de autonomia político-administrativa, respeito pelas identidades de todas as comunidades nacionais ali existentes há séculos. Mas sejamos realistas e pragmáticos: reconciliar os Balcãs com a sua atribulada história só acontecerá de uma forma viável num contexto de uma Europa unida.

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