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Quem são os Identitários?

Quem são os Identitários? Para muitos, aqueles que nos conhecem, a resposta é por demais óbvia, contudo para aqueles que pela primeira vez tomam contacto connosco, ou que porventura não nos conhecem o suficiente, digamos simplesmente, sem entrar em considerações de índole doutrinária, que os identitários são todos aqueles que desejam entusiasticamente conhecer e defender as suas raízes e os fundamentos da sua cultura.

Distantes de qualquer saudosismo, nostalgia desfasada ou concepção museológica do passado, nós, identitários, acreditamos contudo, como dizia o poeta Karel Jonckheere, que «Se o passado não tem nenhum significado para o presente, então, o presente não oferece nenhuma vantagem para o futuro».

Ora, esclarecido está que não procuramos uma “idade do ouro” perdida, nós identitários pretendemos, isso sim, construir o futuro da nossa nação, da nossa comunidade, a partir da sua própria essência, isto é, tendo por base a riqueza da nossa história, a nossa herança cultural e a força material presente no sangue do nosso povo.

Com isto não quer dizer que os identitários são conservadores, em absoluto. O conservadorismo, essa psicose direitista que procura conservar tudo, mesmo aquilo que está errado. Porém, também não somos progressistas, essa volúpia pueril e esquerdista que visa tudo mudar, mesmo aquilo que está correcto e acertado.

Afigura-se pertinente responder à questão que alguns por esta altura já terão formulado: que ideologia defendem os identitários? Pois bem, a resposta não é difícil. Os identitários não se revêem em nenhuma ideologia ou modelo político do passado, mesmo que recente. Logo os identitários defendem e promovem aquilo que pode ser denominado por identitarismo, ou por outras palavras, uma ideologia que emergiu do nacionalismo europeísta no final do século XX, sob a influência de pensadores como Robert Steuckers, Guillaume Faye, Pierre Vial, entre outros, diferenciando-se em termos ideológicos e da doutrina política dos movimentos nacionalistas tradicionais. O Identitarismo é assumidamente etnocentrista, rejeitando todavia o racismo primário. No seu lugar os identitários promovem o etno-diferencialismo, um conceito que que recusa o universalismo homogeneizador e que visa a preservação dos povos e das suas respectivas culturas, com vista a um desenvolvimento assente no Direito à diferença e no direito dos povos a disporem de si mesmos. Para os identitários a existência das diferenças entre os povos é um facto inquestionável, seja desde a perspectiva da antropologia, da história, da cultura, das tradições, dos modos ou das mentalidades, sendo que qualquer tentativa de convívio sobre um mesmo território torna-se inevitavelmente gerador de racismo e, consequentemente, de conflitos.

O termo identitário foi pela primeira vez empregue politicamente por Pierre Vial para definir uma concepção do mundo etnocêntrica que visava ultrapassar o conceito de nacionalismo, por Vial considerado insuficiente para responder aos novos desafios impostos à Europa no dealbar do século XXI.


Conhecendo uma resposta positiva por parte de inúmeros sectores do movimento nacionalista francês, de imediato se criaram estruturas organizativas que se assumiram como identitárias, conduzindo a uma perceptível distinção entre o movimento nacionalista tradicional e o movimento identitário. Guillaume Luyt, dirigente do Bloc Identitaire escreveu: «Ao nacionalismo, ideologia da nação, nós preferimos o patriotismo, o enraizamento carnal à nossa terra. Um patriotismo que nós ousamos afirmar triplo : regional (pátria carnal), francês (pátria histórica), europeu (pátria civilizacional).» Nós, identitários portugueses da Causa Identitária, por seu turno, acrescentamos que o identitarismo expressa-se num europeísmo consequente «além de meras declarações de intenção sobre a amizade entre os povos europeus», assente numa Confederação Eurosiberiana, assim como através de uma autonomia histórica em nítida ruptura com os movimentos nacionalistas do passado e ainda por via de uma nova postura na praxis política, liberta do «falso radicalismo dos gestos e formas excessivas».

20 comments

  1. Como me parece este um movimento sério o suficiente para merecer atenção e discução, gostaria que me respondessem às seguintes questões: “Pode se comparar a vossa ideologia à clássica “PAX ROMANA”?”; “Como nos mantemos social, politica, cultural e militarmente independente no plano Europeo Federalista?”; ” Qual o futuro de Portugal nesse plano?”.

    Com os melhores cumprimentos…


  2. Peço desculpa pelo erro ortográfico, em discussão.


  3. Caro Filipe Bastos de Castro,

    Antes de mais, é com enorme satisfação e alegria que recebemos os elogios que dirige à nossa associação, visto que é precisamente essa a mensagem que pretendemos transmitir para o exterior – Um conjunto de indivíduos livres e enraizados no seu legado etnocultural, cuja acção se baseia pela rectidão e dever de consciência.

    Passemos agora às suas pertinentes questões, que também muito agradecemos.

    “Pode se comparar a vossa ideologia à clássica “PAX ROMANA?”

    Como amantes de uma Pátria tripla – carnal (Região), histórica (Nação) e civilizacional (Europa) – evidentemente que almejamos a paz entre povos europeus, povos esses que partilham entre si uma mesma génese matricial forjada ao longo de milénios, num ambiente de saudável solidariedade e competitividade. Contundo, consideramos que essa mesma paz não deve ser conquistada pela via da força e muito menos “liderada” por um povo em particular: A Europa tem necessidade do último Português, do último Espanhol, do último Belga, etc., isto é, a Paz Europeia que a nossa ideologia, o Identitarismo, pretende, é baseada pelo respeito e admiração das identidades de todos os povos europeus, e não pela via artificial.

    “Como nos mantemos social, politica, cultural e militarmente independente no plano Europeo Federalista?”

    A associação Causa Identitária defende, no presente momento, o modelo de Confederação, na medida este consagra mais poderes aos estados nacionais e, por outro lado, as nações são soberanas, dentro do que hoje é possível conceber a soberania no quadro de direito internacional. Os estados deverão, igualmente, organizar-se segundo uma base federal (regiões autónomas), para melhor se confederarem.

    Mas compreendendo o intuito da sua pergunta, a separação entre os níveis regionais, nacionais e europeus deverá ser construída a partir do princípio da subsidariedade, ou seja, a todos os níveis, a autoridade inferior não delega o seu poder à autoridade superior senão nos domínios que escapam à sua competência. Significa isto que cada Estado-membro conserva a sua autonomia e liberdade, excepção feita às competências que são vazadas na confederação por força do pacto confederal, que em regra respeitam a assuntos internacionais (diplomacia internacional, grandes decisões económicas, protecção do ambiente, etc).

    ” Qual o futuro de Portugal nesse plano?”

    Portugal, que contribuiu como os outros países para a constituição da identidade europeia, terá na nova Europa o lugar que a sua herança histórica, científica, técnica e cultural lhe confere. Acrescente-se ainda que numa Confederação os Estados são juridicamente e politicamente iguais, pelo que o futuro de Portugal só poderá passar por uma participação activa e em pé de igualdade perante os nossos históricos parceiros Europeus.

    Saudações Identitárias!


  4. Antes de mais queria agradecer a disponibilidade mostrada em responder às minhas questões. No entanto e usando a expressão popular “palavra puxa palavra”, houve outras que me vieram à cabeça. Quando fala em “Como amantes de uma Pátria tripla – carnal (Região), histórica (Nação) e civilizacional (Europa)” leva a minha curiosidade e talve ingenuidade a perguntar: ” Então mas não seremos nós um País que se defeniu não pelas suas ligações Europeias mas sim pelas suas ligações pluri-raciais-culturais atlanticas?”, isto é, desde a nossa formação que Portugal tentou de forma ajuizada separar-se dos conflitos Europeus o máximo possivel, tentando encontrar o seu destino noutros “mundos” e assim espalhando a sua própria cultura. Claro está, que Portugal sempre soube da necessidade politica de ter ligações com a Europa, veja-se dois exemplos: A nossa secular aliança com Inglaterra ou por exemplo o casamento de Dº Afonso Henriques com uma Condessa de Sabóia e Mauriene(ou seja euopeia) e não Portuguesa, casamento este patrocinado e encomendado pelo então Arcebispo Dº João Peculiar, exímio estratega politico da época. A minha dúvida no fundo é a seguinte: “Não deviamos nós procurar uma união politica semelhante á Europeia com os países que de facto partilham a nossa cultura, por exemplo os CPLP’s?”; “Para quê, para além da aliança europeia necessária, ligar-mos-nos mais a uma Europa que pouco ou nada tem a ver conosco?”.

    Mais uma vez peço que me esclareçam tais dúvidas, uma vez que eu ando a tentar perceber qual o meu lugar no que diz respeito ao melhor caminho para ajudar a manter e melhorar a nossa herança social, cultural e no fundo também politica.

    Com os melhores cumprimentos e agradecimentos por levarem a discussão de um Portugal melhor muito a sério.


  5. «desde a nossa formação que Portugal tentou de forma ajuizada separar-se dos conflitos Europeus o máximo possivel, tentando encontrar o seu destino noutros “mundos”»

    Caro Filipe, discordo em absoluto. Portugal sempre tentou imiscuir-se nas problemáticas existentes no seio da família europeia, para daí retirar dividendos. Negar isso é como negar que a União Ibérica foi durante vários reinados almejada pelos monarcas portugueses. Mais, como estado católico, Portugal sempre manteve uma estreita ligação com Roma, demonstrando desde a formação da nacionalidade uma reverência e subserviência ao papado.

    É mais que consabido que a expansão marítima resultou de uma forte necessidade económica e que o tão, muito mais tarde badalado, dlatar do Império, da cultura lusíada, da fé de Cristo, não mais é que um falso móbil. Acaso olvida o Filipe para onde era canalizado o comércio derivado dos territórios pelos nossos navegadores explorados?

    Não podemos permitir que as mistificações históricas nos toldem a capacidade de reflexão e o Filipe parece-me possuir uma extraodinária capacidade intelectual para se deixar arrastar pelas ilusões de um Portugal de vocação atlântica.

    Receba as minhas mais entusiastas saudações identitárias.


  6. Caro Filipe Bastos de Castro,

    É, novamente, com grande satisfação que constatamos que a nossas respostas provocaram em si a vontade de saber mais, questionar mais, problematizar mais, pois acreditamos que é no confronto saudável de ideias que é possível vencer os curtos horizontes em que nos pretendem colocar.

    ”Então mas não seremos nós um País que se defeniu não pelas suas ligações Europeias mas sim pelas suas ligações pluri-raciais-culturais atlanticas?”

    De todo. É urgente saber distinguir aquilo que define Portugal e os Portugueses – raízes étnicas, culturais, linguísticas, históricas e costumeiras – das diversas políticas e diplomacias que foram praticadas em diferentes palcos da já nossa longa História. Com efeito, os Portugueses, e por extensão Portugal, são o resultado de conquistas e migrações por diferentes povos – celtas, iberos, suevos, vândalos, romanos, mouros, etc. – mas que, na sua maioria (palavra chave!), partilhavam em si a mesma herança: a raiz indo-europeia. Para além disso, a definição da nossa Identidade não pode ser vista unicamente através de algumas, seleccionadas, fases da nossa história, como é o caso dos Descobrimentos, mas sim de um âmbito mais alargado; desde a origens dos primeiros povos até à actualidade. Nessa perspectiva, podemos dizer, a grosso modo, que Portugal é um país Latino (banhado pelo mediterrâneo), Ibérico e Europeu. Sobre esta matéria, se nos permite, aconselhamos uma leitura cuidada de algumas obras, como ‘Os Indo-Europeus’ de Jean Handry e ‘A arte de ser Português’ de Teixeira de Pascoaes.

    “Não deviamos nós procurar uma união politica semelhante á Europeia com os países que de facto partilham a nossa cultura, por exemplo os CPLP’s?”

    Evidentemente que Portugal deverá manter contactos internacionais com diferentes blocos, por forma a cimentar a sua posição no mundo. Contundo, sabemos das ciências políticas que as uniões e acordos devem ser estruturados e hierarquizados consoante as necessidades e referências de cada parte. Ora por aquilo que foi expresso no ponto anterior, Portugal é uma Nação Europeia pelo que deverá sempre dar prioridade, em questões desta natureza, à Europa, assente numa real política de cooperação política, económica e social. Com os restantes blocos, que não compartilham connosco de forma tão intensa as mesmas marcas etnoculturais e proximidade geopolítica como nós partilhamos com a Europa, dever-se-á apostar, sobretudo, em relações institucionais e económicas.

    “Para quê, para além da aliança europeia necessária, ligar-mos-nos mais a uma Europa que pouco ou nada tem a ver conosco?”

    Para além de uma mesma origem civilizacional, o que contraria a tese de que não tem «nada a ver connosco», a Europa oferece-nos uma diversidade de fontes incomparável no mundo inteiro, seja pelas ciências, pelas artes, pela economia, tecnologia, etc., pelo que Portugal fica mais rico nestes domínios. Associado a estes factores, temos igualmente uma mais sólida garantia de ajudas em casos de guerra, fome ou calamidades.

    Saudações Identitárias!


  7. Meus caros, é com grande satisfação que vejo que continuaram a elucidar-me nas minhas dúvidas. No entanto, temo em discurdar em alguns pontos. Se me derem licensa, aqui vai:
    “Portugal sempre tentou imiscuir-se nas problemáticas existentes no seio da família europeia, para daí retirar dividendos. Negar isso é como negar que a União Ibérica foi durante vários reinados almejada pelos monarcas portugueses”

    É de facto verdade que uma união ibérica com a gerência de Portugal, isto é Castela dependente de nós, foi sempre algo de interessante, o contrário, Portugal dependente ou uma federação, por outro lado sempre foi indesejado por todo e qualquer dirigente( monárquico ou republicano). Julgo também que o único rei Português com verdadeira ambição a dominar castela foi D. Afonso V, o Africano.

    “Mais, como estado católico, Portugal sempre manteve uma estreita ligação com Roma, demonstrando desde a formação da nacionalidade uma reverência e subserviência ao papado.”

    É verdade sim senhor, mas só até certo ponto, para explicar melhor isto que tal pegar mesmo no inicio e falar de D.Afonso Henriques. Este, ainda Conde, declara á Santa Sé que é seu súbdito, prometendo cumprir uma taxação imposta pela Santa Sé( taxação essa que só foi paga no primeiro ano da nossa existência). Mas para quê declarar servidão á Santa Sé e procurar o seu apoio? Simples, para alem da questão de “cruzada na penisula” evocada tanto por nós como pelos castelhanos, vinha uma outro ponto fulcral, que é o seguinte: Só um Reino poderia ser súbdito directo da Santa Sé, e o facto de nos tornarmos num, levou-nos um passo mais longe na independêcia da alçada D.Afonso Raimundes de Castela.

    “Com efeito, os Portugueses, e por extensão Portugal, são o resultado de conquistas e migrações por diferentes povos – celtas, iberos, suevos, vândalos, romanos, mouros, etc. – mas que, na sua maioria (palavra chave!), partilhavam em si a mesma herança: a raiz indo-europeia”

    Não podeira estar mais de acordo, uma vez que uma das nossas grandes vantagens é a de termos retirado de cada civilização, desde os fenicios aos mouros, os pontos e qualidades fortes. No entanto e no meu entender, a história de Portugal não começa com Viriato, ou pelo primeiro Fenicio que cá pôs os pés, mas sim com D. Afonso Henriques, e desde aí, e julgo que é dificil negá-lo, Portugal tentou depender o menos possivel dos outros Paises europeus e criar o seu próprio caminho no “Atlântico” e a sua própria cultura. É verdade que o nosso mercado sempre foi a Europa, mas foi mais por que eles precisavam do que nós uma vez que eles importavam e nós não, hoje em dia infelizmente é ao contrário. Hoje em dia o que se passa é que temos a nossa economia completamente dominada por Espanhois e os centros de decisao já não cabem a Potrugal. Eu não consigo deixar de pensar que a única diferença entre a Europa a 15 ou a Europa, a 25 ou 27 é o tamanho das fronteiras, pois os centros de decisão serão sempre os mesmo dentro da Europa, Alemanha, França e Grã-Bretanha, ocasionalmente vão aparecendo uns como a Itália ou Espanha que vão dando que falar, mas imutaveis são os três primeiros que referi.

    Como diz o Drº Franco Nogueira, em “Juizo Final?”, se nós não nos cuidarmos, ninguem o fará por nós. Isto é, sim precisamos da Europa mas não deviamos ter caído na dependência que hoje temos e que nos nossos ´quase 900 anos de história nunca tal se tinha visto. Eu julgo que não nos podemos iludir que quando a “coisa” apertar, e eu acredito que vai apertar, os franceses, ou espanhois, ou alemães, etc… vão se desenvicilhar e nós? Como ficaremos? Voltaremos a ser parte de Espanha? Uma colónia britânica talvez? Ou um protectorado francês? A politica internacional não é uma brincadeira, e os franceses ligam às suas questões nacionais os alemães também, os espanhois também etc…e não às nossas.

    Peço desculpa, acabei por escrever mais do que tinha pensado, mas quando se fala em Portugal eu tenho a tendência a entusiasmar-me.

    É uma pena, e julgo que também o sintam, que hoje em dia é muito dificil ter uma conversa assim sem que nos olhem de lado e comecem logo a falar dos morangos com açúcar ou futebol

    Com os melhores cumprimentos e satisfação por tamanha conversa interessante.


  8. Amigo Filipe, agora fala (escreve) um teu homónimo!

    Tem razão o embaixador Franco Nogueira, a excessiva dependência de um país leva à sua diminuição. Actualmente Portugal caminha para o que se designa em Ciência Política por “Estado exíguo”, sem real capacidade de soberania: nem económica, nem militar, nem política, quer na ordem interna quer na externa”.

    Foi, de certo modo, para escapar à limitação do seu poder que Portugal enveredou pela expansão. Limitado a Leste por Castela/Espanha já desde a altura do Pacto de Sahagun (séc. XII), a opção era ir para Sul (Algarves) e o mar.

    Ou seja, não não nos isolámos da Europa, pelo contrário! Foi sempre com os olhos na Europa, e por termos feito uma correcta leitura da situação política europeia, que voltamo-nos para o exterior. Simplesmente tivémos de enveredar noutra direcção por forma a expandirmo-nos e, sem dúvida, assegurar a sobrevivência do Estado: por exemplo, durante as Guerras Napoleónicas, de todos os países invadidos pelos franceses apenas a Rússia e Portugal mantiveram a independência; os russos porque tinham território continental e nós porque tínhamos território ultramarino.
    Posto isto, em termos de política internacional, convém-nos ter uma política tripartida: atlântica, europeia e “lusófona”, por forma a majorar todas as sinergias que a nossa posição geográfica, a nossa História e a nossa cultura nos permite ter.

    Quanto à questão da identidade, sendo o nosso povo o resultado de uma mistura (a língua é prova viva disso), temos todavia características culturais claramente definidas. Não há dúvidas de que nos inserimos, como anteriormente foi dito, num contexto europeu, latino, ibérico e cristão católico. Soubemos aproveitar o melhor de todas as culturas, mesmo as não-europeias (as danças africanas, por exemplo, eram moda no séc. XVIII e XIX), mas somos europeus. E é isso mesmo que os que lutam pela sua identidade querem preservar: querem continuar a ser europeus!

    Um abraço a todos.


  9. Caro Filipe, o seu texto apresenta uma clareza e estrutura que devo convessar invejar, pois como já deve ter percebido tendo a perder-me na minha própria escrita e por isso peço desculpa.

    Eu temo aborrecer este forum com uma outra questão, esta dirigada a Filipe de Maio: “Mas se continuramos com uma politica Europeista Itegracionista, não acaberemos por perder a independencia politica e económica e consequentemente cultural( entenda-se como cultural as diferenças que temos dos outros povos europeus e não a nossa origem) em função de uma nação mais forte?”

    Os meus cumprimentos


  10. Caro Filipe,

    O que diz é em parte verdade. Vamos por partes:
    - Independencia politica e económica – Neste campo podemos afirmar que já a perdemos há muito. Desde 1807 que deixámos de ter independência política, de desde 1822 que deixámos de ter a económica. Com o fim do nosso Império a situação económica agravou-se, daí a opção europeísta. Evidentemente que seguindo o modelo de integração “que se deseja”, isto é, o modelo federalista, os Estados irão perder ainda mais independência política (a económica já foi perdida a partir da implementação da política económica e monetária – sobretudo esta – da UE). E note-se que o Estado português, na sua Constituição, salienta especificamente que as normas do Direito Internacional vigoram imediatamente no direito português.

    - A independencia cultural – Aqui, Filipe, não tenha medo da UE. Aliás, o grande problema da União, como sabe, é o de não haver uma “identidade europeia” (nem o poderia com o modelo multicultural “que se quer” que inclui as multiculturalidades não-europeias). A grande ameaça à nossa cultura resulta dos media e dos seus efeitos, do multiculturalismo e sobretudo de nós próprios, que temos vergonha da nossa identidade e da nossa História.

    Um Abraço


  11. Peço desculpa pela demora, mas tenho um curso universitário para terminar e é dificil arranjar tempo para pensar noutros assuntos não menos importantes como é o caso.

    “Independencia politica e económica – Neste campo podemos afirmar que já a perdemos há muito. Desde 1807 que deixámos de ter independência política, de desde 1822 que deixámos de ter a económica.”

    Se me permitir o comentário, Filipe, o que diz é verdade, de facto no século XIX perdemos alguma idependência.

    Mas durante o seculo XX nomeadamente entre 1932 a 1974, note-se que eu não sou um saudosista e nem idade tenho para o ser, fomos um País soberano independente e politicamente muito forte. Veja-se como aguentamos o combate politico com a URSS e os USA no que diz respeito a África,combate esse que perdemos porque fomos traídos por dentro, por pessoas que ligavam e ainda ligam mais ao proveito pessoal do que ao colectivo. Veja-se o exemplo do Dr Mário Soares, que foi responsavel pela ruína e morte de mais portugueses de que há memória num dirigente Portugês ao ter dado de mão beijada os territórios ultra-marinos a um punhado de terrorista pondo assim o nosso império na mão dos Soviéticos. Note-se que foi este senhor que nos pôs na CEE.

    Relativamente à UE, como é evidente precisamos dela, mas até que ponto é uma vantagem para nós? Como iremos manter a nossa soberania e indepência? Já não valerá a pena lutar pelos valores que criaram Portugal?

    Os meus cumprimentos


  12. Amigo homónimo, entre ‘26 e ‘74 não tivemos assim tanta independência como isso, pois tivemos de nos vergar à vontade dos EUA/RU durante a 2ª GM. Acontece apenas que, sendo nós anti-comunistas, fomos tolerados pelas potências democráticas ocidentais. Mas foram essas, e não uma qualquer 5ª Coluna, quem nos traiu no que diz respeito às colónias. Foram os EUA e tb o RU quem apoiou os promeiros movimentos independentistas em África (a UPA), sendo que foram posteriormente ultrapassados pelo campo socialista, mais motivado e com um ideário mais aliciante para os povos que lutavam contra o colonialismo (o qual está associado ao capitalismo do que os EUA são o grande representante).

    Quanto à UE, eu sou um EUro-céptico. Não sou contra a UE, muito pelo contrário, sou provavelmente mais europeísta que muitos daqueles senhores e senhoras que mandam em nós, mas não acredito neste tipo de construção assente na falta de democracia e na falta de ligação afectiva – e portanto, cultural – entre os europeus. Por isso é que o “não” irlandês é importante, e a “volta por cima” que “aqueles-que-mandam” querem dar – dizendo que o “não” foi motivado pela economia, pelo medo, por protesto contra o governo, enfim, tudo menos a EUropa – é alarmante, pois vai contra a independência, não só dos Estados, mas tb dos povos, os quais são classificados como broncos.

    Evidentemente, quem afirma que esta “EUropa” é um erro é imediatamente apodado de anti-europeu, nacionalista, e daqui a ser-se racista-xenófobo-nazi vai apenas um passo…

    Olhe, não sei como podemos lutar contra isto, a sério que não sei.
    Talvez o desinteresse seja uma boa arma, mas tal pode ser contra-produtivo pois dá-lhes (a “eles”) todo o espaço de manobra;
    O protesto, utilizando a net, por exemplo, pode ser interessante. Eu uso esta táctica sem saber até que ponto resulta. Mas como eu sou apologista da instrução em lugar da igorância, ainda que doa, sou muito suspeito…

    Um abraço,


  13. Caro Filipe, quando diz que: ” tivemos de nos vergar à vontade dos EUA/RU durante a 2ª GM.”…está a referir-se a quê exactamente?

    Uma vez que vivemos em democracia temos duas hipoteses, ou instruimos as pessoas o suficiente para elas terem alguma ideia do que se passa, ou do que não se passa que julgo ser mais o caso, ou fazer campanha pela abstenção em massa que será talvez a arma mais eficaz.

    Eu compreendo-o perfeitamente quando diz, “quem afirma que esta “EUropa” é um erro é imediatamente apodado de anti-europeu, nacionalista, e daqui a ser-se racista-xenófobo-nazi vai apenas um passo”…eu sofro do mesmo…uma vez qe me considero um portugues tradicionalista, entenda-se tradição como a Nossa, sou: anti-europeu( como estado federal), sou nacionalista português, não sou racista( a nossa tradição portuguesa compreende a tolerância) e também não sou xenófobo, só acho que, se me permite a analogia: se um barco tem lugar para vinte pessoas e dez lugares já estão ocupados, só devem entrar mais dez, porque mais do que isso vai tirar ou apertar os primeiros dez.

    Cumprimentos


  14. Bom dia amigos!
    Escrevo aqui do Brasil. Agora, enquanto digito esta nota, assento-me exatamente em uma cadeira onde, há 360 anos pousou um projétil de guerra português, visando a desalojar silvícolas e franceses entre si macomunados. De fato, creio que seja uma pena os portugueses não terem erigido um “identitarismo” há pelo menos 600 anos! Somente assim a gente nativa da América não teria sofrido o pior dos genocídios da história, os africanos não teriam sido expatriados para cá etc. Mas, nem sempre o mundo se recolhe ao seio de nossas crenças… Apenas acho que o processo globalizatório é irreversível, inexorável; nesse contexto, prova-se que “não há independência” nacional em sentido estrito. A polarização da riqueza condiciona o acesso a bens alheios, de modo que é impossível que os fortes sobrevivam alheios. Aos fracos. Veja: agora está a acontecer com a Europa, porém em global escala, o que já acorre com o Brasil Há um século: os marginalizados estão acorrendo aos centros de riqueza; o isolamento em favelas não foi medida sensata. Hoje no Rio de Janeiro mata-se por uma dose de cachaça, que custa 1/5 de euro! A população outrora degredada às periferias, segregada pelo cortina sutil da riqueza está, como se diz aqui, “descendo para o asfalto”. Mas cedo ou mais tarde, os pobres e miseráveis do mundo, atiçados pelo consumismo da Europa rica, vão tomar de assalto a parte que lhes compete, como colaboradores que sempre foram, mesmo como explorados, no progresso humano.
    Sou, cá do meu geito, também um conservador; luto para delinear uma identidade que esteie o progresso do meu pequeno povoado, mas sempre terei, e lhes recomendo, um compromisso com a “ética” histórica. Não se recomenda matar o rigor do passado, em nome de um pretenso futuro já visto inviável. Isto sim, é preciso tornar coesa as nossas culturas a fim de fazer frente ao avanço de certas boçalidades consumistas, que só fazem crescer a sanha destruidora sobre os ecossistemas terrestres.
    Louvo-os bela honrosa discussão. Saibam que aqui esse tipo de diálogo já se extinguiu.
    Saudações.


  15. Saudações camaradas identitários!

    Cá escrevo também do Brasil,e como filho de portugueses discordo do teor da mensagem de Alessandri Adriano,em primeiro lugar não creio que Portugal deva ser penalizada eternamente por erros cometidos faz séculos e que no fim das contas até trouxeram mais vantagens que o contrário,a culpa da não assimilação e o desrespeito aos afriacanos que originaram as favelas e hordas de criminosos é fruto das políticas ineficazes e corruptas aplicadas por brasileiros legítimos,dos tempos de Colônia libertaram-se os escravos e mais tarde a sociedade já mestiça preferiu empurrar a situação dos indígenas e africanos com a barriga,faz muito tempo que se poderiam ter adotado medidas educacionais e de segurança em relação aos povos outrora oprimidos mas até hoje prefre-se culpar o português.

    Se não fosse pela turma de Cabral tu sequer estarias a escrever para o site,afinal indígenas vivem em condições pré-históricas mesmo hoje e acredito que isto pouco mudaria sem a intervenção européia,quanto aos negros pergunte se querem voltar para África tribal e irracional de matanças étnicas que ninguém comenta ou preferem a comodidade da civilização ainda que de terceiro mundo ?

    Quanto a globalização o modo como se dá é que rende problemas que ninguém tem coragem de discutir,a integração entre os povos é algo maravilhoso mas a assimilação de potenciais criminosos e a submissão dos europeus diante de imigrantes e políticas absurdas é algo intolerável.


  16. Novamente escrevo desta feita para esclarecimentos mais pertinentes ao tema identitarismo,gostaria de saber se é uma causa própria dos europeus ou poderia ser adotada pelos negros e orientais também, talvez assim eles buscassem melhorar as condições de seus países, evitassem a mistura e ainda deixassem de invadir a Europa ?

    Portugal para os portugueses!

    Abraços!


  17. Caro Nac 88,

    Com efeito, o sentimento identitário, expresso na vontade de afirmação daquilo de somos e no legítimo direito à diferença, é extensível a todos os povos, ainda que, infelizmente, só os Europeus parecem estar impedidos de exercer essa escolha em virtude de um falso e hipócrita «respeito pelo outro» – pois que não se pode respeitar o «outro» quando não existe respeito por si próprio.

    Quanto às consequências desta tomada de consciência estas só podem ser benéficas; O estímulo ao enraizamento à nossa terra e gentes torna todo o indivíduo mais realizado e completo, o que fomenta maior criatividade e iniciativa, gerador de qualidade de vida, o que permite aos povos viverem em condições dignas, evitando, desta feita, a trágica situação de abandono da sua comunidade em busca de melhores condições de vida.

    Saudações Identitárias!


  18. Li e voltei a ler os artigos já publicados.
    Em suma ando à procura da minha identidade.
    Vejo um mundo de pernas para o ar, as imigrações sem qualquer controlo, nós PORTUGUESES temos que suportar com tudo e todos caso contrário somos racistas etc. Já ao contrario não existe qualquer problema.
    Vejo na minha nação os bancos cheios de lucros e a recorrerem a creditos do governo,
    Criminalidade não se fala.
    Os politicos, também é melhor não falar uma vez que a politica é uma rampa de lançamento para o trabalho(emprego) que terão no futuro.
    Não existe dinheiro para ninguém, pedem um esforço aos povo, bem dito ao povo, uma vez que aos altos cargos nada.
    O que fazer por um PORTUGAL a perder a sua identidade e com os seus filhos à nora sem reino nem roque e sempre tolerantes, humildes, conformados.


  19. Viva, gostei do que aqui li, pela discussão participativa e interessante. Gostaria no entanto de questionar o seguinte, uma posição etnocentrica, não é a contradição da aceitação da diferença? Tanto quanto me parece o etnocentrismo, é razão de muitos males actuais! Etno-diferencialismo é efectivamente a matriz ideológica dos Identitários?

    Um abraço


  20. Caro Victor Simões,

    Obrigado pela sua pertinente questão.

    A Causa Identitária e os Identitários em geral são de facto etno-diferencialistas, visto que para nós a diversidade de etnias, culturas, línguas e costumes é um bem precioso que deve ser preservado. Contundo, o amor às nossas próprias raízes, juntamente com a firme vontade a que as mesmas não se diluam no cosmopolitismo e mundialismo reinantes, leva-nos, também, a assumirmo-nos como etno-centristas, ou seja, aceitamos e enaltecemos a existência do «outro» mas recusamos que esse mesmo «outro» coloque em causa a nossa própria existência.

    No fundo, etno-diferencialismo e etno-centrismo estão umbilicalmente ligados.

    Saudações Identitárias!



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